domingo, abril 13

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O corpo ficava invisível!
Os recortes das janelas mal deixavam entrever o que se passava dentro.
Lá dentro vidas corriam com normalidade. Família construída, beijos de ternura, à noite depois do beijo ao filho que adormece, outros beijos acontecem, entre dois corpos que se encontram.
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Este corpo permanece invisível!
Invisível e sem ver a felicidade que ali ocorre, mas a adivinha-la... tortuosamente a adivinha-la, do lado de fora.
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Invisível?
Nem sempre.
Depois dos beijos, do abraço volupioso, vem o sono.
Com o sono, o sonho.
E no sonho a volúpia é outra.
E o corpo não é mais invisível.
É palpável, inebriante... Ganha textura, paladar, cheiro.
Ganha calor, húmido, acre e doce.
E o corpo sai do recorte da janela para ficar impresso na lembrança durante as horas roubadas ao sono, numa madrugada de desejo.

8 comentários:

Barqueira disse...

Bom. Mesmo.

Como o desejo é.

:)

as velas ardem ate ao fim disse...

Que bom dormir!

um bjo

Lídia disse...

... o prazer de duas almas. A paixão ganha forma.

karvoeiro disse...

saraba!

mixtu disse...

invisivel
divisivel
indivisivel
desejos?
ou quereres?

abrazo serrano

Barqueira disse...

Aumentando o tamanho da letra (por sugestão de um amigo que eu nem disso me lembrava) consegui ler.

Que prazer tive na leitura!
Obrigada. :)

Barqueira disse...

E foi repetição...mas eu sanboreio sempre mais a segunda. ;)

Madalena disse...

Um bom poema que torna uma descrição quase visual. :)

Obrigada